segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Para ver e guardar na memória... Ou da série: Obras-primas do cinema

Dispa-se dos preconceitos cinematográficos... Esqueça Triple X, Velozes e Furiosos, e também aqueles filminhos para adolescente que o povo adora consumir e que Hollywood produz às pencas. Olvide também aquelas películas que passam distante da verdadeira natureza humana e são cheios de príncipes e princesas, amores eternos e gente “legal” (não que eu não acredite nisso: em gente legal e amores eternos, mas nada é perfeito!)... Você esta para ver um filme ADULTO. Por isso, tome tempo. Seja paciente. Seja corajoso.

Pegue-o de preferência na sexta-feira, junto com porcariada popular que vem no pacote das locadoras: o pornô, o infantil, a aventura... Comece a ver DOGVILLE na sexta. E, como conheço a maioria das minhas crianças, já aviso: “_Não desistam, nem corram da raia, porque vocês estão para ver/ter uma das mais ousadas experiências feitas no cinema atual em termos de radicalismo formal e de conteúdo!” Se não conseguirem vê-lo todo... No problem... Vão dormir. Terminem de ver no sábado... Mesmo porque, Dogville é um daqueles filmes que incomodam...
O filme de Lars Von Trier é inspirador. Não somente pela escolha da linguagem, ( uma revolução na forma cinematográfica), dos atores, do roteiro... E explico: para horror dos viventes massificados, o diretor utilizou alguns objetos de cena mas nenhum cenário; apenas linhas pintadas no chão demarcando duas ou três ruas e algumas casas. O cenário invisível (sem paredes, janelas ou portas) permite que o espectador veja os coadjuvantes em seus afazeres longe do foco pri
ncipal da ação. Além de servir como metáfora do filme, não desviando a atenção do espectador para nada além da narrativa, o artifício ressalta a dramaticidade através da encenação. Desse modo, Von Trier consegue estender a profundidade de campo e sublinhar as conseqüências de cada ação individual em relação à comunidade. "Ao abdicar dos cenários e dos adereços, o diretor procurou valorizar o âmago de cada personagem para que o espectador, despojado do “supérfluo” e do “superficial”, pudesse olhar apenas para o que verdadeiramente interessa em seu filme: a desumanidade que “emana” da humanidade."*
Lars Von Trier, meus queridos ex-alunos de Cinema devem conhecer do movimento cinematográfico Dogma 95**. Para os desmemoriados, aqui vai: manifesto nascido na Dinamarca, que procurava contrariar algumas tendências do “cinema comercial”, opondo-se ao conceito de cinema de autor, ao cinema individual e cheio de (de)efeitos especiais. Lars, embora, atualmente, não siga o Dogma 95, está longe de ser apenas mais um diretor que se rendeu a $$$$$$$ de Hollywood, como por exemplo, Martin Scorsese ou Kevin Smith.

Mas vamos a história. Dogville é uma pequena cidade, com pouco mais de uma dezena de residentes, situada em algum lugar entre as montanhas do meio-oeste dos Estados Unidos. A história se passa durante a Grande Recessão Americana na década de 1930. Grace (Nicole Kidman) chega a Dogville fugindo da perseguição de gângsteres. Sob a liderança do morador Tom (Paul Bettany), a comunidade decide acolhê-la, para demonstrar altivez com o estranho, com o “estrangeiro”. Em troca da generosidade, Grace terá de prestar pequenos serviços aos moradores. À medida que o tempo avança, você, entre o chocado e o completamente indignado, verá a doce forasteira ser escravizada, abusada, punida por tentar escapar e delatada aos gângsteres pelo único morador que parecia manter algum traço de força moral. No entanto, quando os bandidos vêm ao encontro de Grace, a revelação de sua identidade provoca uma reviravolta definitiva no filme e na vida dos habitantes de Dogville.

E o filme termina ao som de Young Americans, de David Bowie com imagens de fotodocumentaristas que trabalharam durante a grande depressão americana.
Resta ainda dizer este é o primeiro da trilogia do diretor Lars Von Trier sobre os Estados Unidos. Os demais filmes são
Manderlay (2005) e Washington, que será lançado em 2007.

* ALEXANDRE BUSKO VALIM

** Votos de Castidade dos cineastas do DOGMA 95
1. As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá, portanto, ser utilizada, a menos que não ressoe no local onde se filma a cena).
3. A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
4. O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há luz demais, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).
5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.
6. O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Em nenhum caso homicídios, uso de armas ou outros).
7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (Isto significa que o filme se desenvolve em tempo real).
8. São inaceitáveis os filmes de gênero.
9. O filme deve ser em 35 mm, standard.
10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Contato


Agradeço minhas caras alunas Nana Sperb e a Renata que deram retorno após publicação do blog... Bem e quanto a Britney... Chegamos a um consenso, né Renata :) A Britney é entretenimento e a Madonna não é somente isso :) ... Ela é política!

E mais uma dica: http://www.sonyclassics.com/capote/

O longa conta o trabalho de Truman Capote na árida cidade de Holcomb, no Estado americano do Kansas, onde ele tenta descobrir todos os detalhes sobre o massacre da família Clutter, no ano de 1959.
Em sua jornada, Capote é acompanhado pela amiga de infância Nelle Harper Lee (vivida por Catherine Keener), autora do clássico Não Matem a Cotovia (To Kill a Mockingbird), vencedor do prêmio Pulitzer de 1960.
Ao longo de cinco anos, o escritor e jornalista faz a reportagem intermitente da situação dos assassinos acusados, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), que terminam no corredor da morte.
Num primeiro momento, Capote tenta ajudar os acusados, mas, com o passar dos anos, ele começa a sentir-se culpado por desejar que eles morram para que possa concluir sua obra-prima, A Sangue Frio, publicada em 1966. Com A Sangue Frio, Capote cravou um marco no jornalismo literário, narrando um acontecimento verídico como se fosse um romance policial. O resultado é primoroso. A história da família Clutter — pai, mãe e dois filhos pequenos —, brutalmente assassinada em 1959 na pequena cidade americana de Holcomb, no Estado do Kansas, foi o ponto de partida. Então repórter da revista The New Yorker, Capote debruçou-se sobre a tragédia por seis anos e lançou o livro em 1965, causando tremendo impacto. Continua impactante 38 anos depois.

JORNALISMO LITERÁRIO

Modalidade de prática da reportagem de profundidade e do ensaio jornalístico utilizando recursos de observação e redação originários da ou inspirados pela literatura.Traços básicos: imersão do repórter na realidade, voz autoral, estilo, precisão de dados e informações, uso de símbolos (inclusive metáforas), digressão e humanização.

A coleção "Jornalismo Literário", da editora Companhia das Letras, surgiu para reeditar algumas das maiores reportagens do século 20. O primeiro volume Hiroshima, de John Hersey foi publicado há pouco mais de um ano. Desde então, já foram para as livrarias reportagens de jornalistas como Joseph Mitchell, Truman Capote, Joel Silveira e o último lançamento, Zuenir Ventura.

Camila:
Vc não queria umas indicações de livros...

Quanta tristeza...O que este povo anda fazendo?


Acessem este site: www.nra-kkk.org/ e vcs vão ter uma idéia do que os adultos estão fazendo com a infância... Plantando o ódio e a intolerância... Depois me digam se não é grave...

Isso não pode voltar a acontecer!



Do ódio nada brota a não ser a intolerância que contamina gerações e mais gerações sem que elas, na verdade, por fim, nem saibam mais porque estão odiando...
Não compactuem com isso. Vocês também são responsáveis ...

Agora é para quem gosta de SP e de balada

A noite paulistas para todos os gostos:

http://www.arehna.com.br
http://www.loveclub.com.br
http://www.funhouse.com.br/
http://www.jive.com.br
http://www.theweek.com.br
http://www.armazemdavila.com.br/
http://www.ultralounge.com
http://www.ibizaweb.com.br

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Aos meus alunos de COMUNICAÇÃO - JORNALISMO

Campanha em Defesa da Formação e Regulamentação Profissional dos Jornalistas

Carta à Sociedade

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), os 31 Sindicatos de Jornalistas a ela filiados em todo país e o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) solicitam a sua adesão à campanha nacional que estamos promovendo em defesa da formação universitária específica de jornalista como condição essencial ao registro para o exercício profissional.
Há quase quatro anos, os jornalistas desenvolvem esta campanha para recuperar um dos pilares da sua regulamentação profissional: o item III do Artigo 4º do Decreto 83.284/79, derrubado por decisão judicial em 1.ª instância. Foi em outubro de 2001, através de liminar da juíza substituta Carla Rister, da 16ª Vara Cível da Justiça Federal, 3ª Região, em São Paulo, que suspendeu a obrigatoriedade da exigência do diploma de Curso Superior de Jornalismo, reconhecido pelo MEC, para a obtenção do registro profissional.
Desde então, com o apoio de todos os Sindicatos de Jornalistas do País, a FENAJ trava uma batalha na Justiça Federal paulista tentando reverter a decisão. O processo permanece, desde dezembro de 2003, no TRF-3ª Região à espera da análise de recurso impetrado pela FENAJ e Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
É importante esclarecer, já de início, que a defesa da formação específica para o exercício do jornalismo está longe de ser uma questão unicamente corporativa. Trata-se, acima de tudo, de atender à exigência cada vez maior, na sociedade contemporânea, de que os profissionais da comunicação tenham um alto nível de qualificação técnica, teórica e principalmente ética. Com este entendimento e:
considerando que, depois de 60 anos de regulamentação profissional e 80 de lutas pela formação superior em Jornalismo, enfrentamos agora a clara ameaça do fim de quaisquer exigências legais para o exercício da profissão de jornalista;
considerando que o ataque à profissão jornalística é mais um ataque às liberdades sociais e às profissões em particular, cujo objetivo fundamental é desregulamentar as profissões em geral e aumentar as barreiras à construção de um mundo mais pluralista, democrático e justo;
considerando que a decisão judicial acarreta claros prejuízos à ética profissional, avilta as condições de trabalho e salariais dos jornalistas e abre espaço para a contratação, nas empresas jornalísticas, de apadrinhados políticos e ideológicos sem a essencial formação específica na área;
considerando que a existência de uma imprensa livre, comprometida com os valores éticos e os princípios fundamentais da cidadania, portanto cumpridora da função social do jornalismo de atender ao interesse público, depende também de uma prática profissional qualificada;
considerando que uma das formas de se preparar, de se formar jornalistas capazes a desenvolver tal prática é através de um curso superior de graduação em jornalismo e que já existe liberdade garantida para quem quiser expor sua opinião na imprensa, como entrevistado ou articulista de uma determinada área;
considerando, finalmente, que se a decisão for mantida, atinge profissionais e estudantes de jornalismo numa de suas principais conquistas, desrespeita as identidades de cada área (e com isso desrespeita também as demais), e fere frontalmente a sociedade em seu direito de ter informação apurada por profissionais, com qualidade técnica e ética, bases para a visibilidade pública dos fatos, debates, versões e opiniões contemporâneas, atacando portanto o próprio futuro do país e da sociedade brasileira;

Solicitamos o seu engajamento nesta campanha em defesa da formação superior específica para o exercício da profissão de Jornalista, através da promoção e/ou participação em atividades programadas pela FENAJ, Sindicatos e FNPJ e também do envio de moção de apoio para: STF (Supremo Tribunal Federal), TRF 3ª Região (Tribunal Regional Federal da Terceira Região), STJ(Superior Tribunal de Justiça), Procuradoria-Geral da República, Câmara Federal e Senado, Procuradoria-Geral do Trabalho,Tribunal Superior do Trabalho e Conselho Superior da Justiça Federal, além do encaminhamento de uma cópia para a FENAJ. Os endereços eletrônicos seguem abaixo. O modelo de moção está em anexo e também pode ser encontrado nos sites da FENAJ, do FNPJ e dos Sindicatos em todo o país.

Saudações sindicais!