segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Essa é para desesperar...

Leram para mim... Não acreditei, nem me conformei, e passo para vocês ...

No livro, até então, foram 68 páginas sem qualquer citação...
Isso sem falar no texto meio confuso e tendendo a exibição...
Os autores pulavam de um assunto para o outro, sem terminar o anterior, claro...
Generalizam quase tudo e não explicam muita coisa (citação para que saibamos que conceito ele usa para determinada classe/tribo, nem pensar!).

Tipo, colocam no mesmo saco: clubbers, cybers ( que eles não caracterizam, e pelo visto, não sabem o que é) e models (sabe-se lá o que eles quiseram dizer ou conceituar...).
Além disso, tiram completamente a importância dos, por exemplo, punks, enquanto movimento... Por fim, na verdade, começo, para desespero geral, dizem o seguinte:

“Uma sociedade merece tal designação (democrática) quando fornece aos seus membros condições pra seu desenvolvimento moral e possibilidades reais de atendimento material àquelas expectativas que lhes são dirigidas na forma de obrigações, deveres e promessas empenhadas. De outro lado, esses membros anuem em cooperar com sua comunidade, abstendo-se de prejudicá-la e , quando possível, empreendendo ações altruístas para seu aprimoramento. O equilíbrio havido nessa mutualidade, estabelecida entre indivíduo e sociedade, incrementa a própria legitimidade do pacto social. Isso tudo assim resulta porque, quando os indivíduos recebem a chance de ser alguém (itálico do autor) perante seus parceiros de convívio e perante suas auto-estimas, essa chance, essa chance além de altamente valorizada, tende a ser traduzida, no atendimento a certos deveres próprio de que é ou se tornou alguém (itálico do autor): mais confiabilidade, mais sociabilidade, mais HONESTIDADE (letras maiúsculas minhas!), mais solidariedade, mais respeito à coisa pública, mais responsabilidade, mais vergonha moral, Mais decência.(! exclamação minha!” (...)

A falta de sensibilidade e o elitismo dos autores é, ao mesmo tempo, esclarecedora e chocante.
Dê condição e o pobre, o favelado (termo que ele chega a utilizar no livro) não vai sair por ai "sacaneando" a classe alta, nem a média.

Porque, “quando ele recebe a chance de ser alguém, (Porque?? Ele já não é alguém????? Ele já não merece respeito????????? E ser alguém pressupõe ser o que para estes senhores??????), ele é ou vai se tornar (MEU DEUS! ) alguém MAIS HONESTO (é pobre que mata vigia e continua com pensão de R$14,900,00...) mais SOLIDÁRIO( QUEM AJUDA QUANDO DESPENCA BARRACO NO MORRO? A CLASSE ALTA???) , vai ter mais respeito pela coisa pública (É QUE POBRE ADORA QUEBRAR TUDO, PIXAR TUDO... FILHO DE CLASSE MÉDIA NÃO FAZ ISSO, CLARO...), tem mais vergonha moral (CLARO, TEM MUITO POBRE TROCANDO FAVOR SEXUAL POR lugar em gabinete... E AFINAL, O QUE ELE QUIS DIZER COM ISSO?), Mais decente (CLARO , ESTÁ CHEIO DE FAVELADO NO SENADO E NA CÂMARA...)

Não satisfeitos, continuam:

“(...) mas como exigir de uma mãe faminta em um barraco, que não se empregue
na distribuição de cocaína nas favelas do rio de janeiro? (...)


Então eu deixo as notícias falarem por mim, e as achei em 15 segundos de pesquisa:

"O crime mora na classe média
Como gente abastada domina o tráfico de ecstasy e agora também participa de assaltos à mão armada"
NELITO FERNANDES E SOLANGE AZEVEDO COM PALOMA COTES

“Só neste ano, a Polícia Federal prendeu 69 traficantes bem-nascidos, em aeroportos, raves e boates. No Estado de São Paulo, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) deteve 180 universitários pelo mesmo motivo.”
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1040826-1653,00.html

Sociedade :: Federais assustam a elite - Daslu dá golpe (-Edição Época 374 - 18/07/2005

O livro? Fudamentação Ética e Hermenêutica.
Os autores: Edmundo L. de Arruda Jr. (Titular de Sociologia Jurídica do Curso de Direito da UFSC) e Marcus Fabiano Gonçalves (Mestre e Doutor em Filosofia pela Sorbonne )

Estou falando sério... O que esperar, se estes são alguns dos nossos doutores?

Sobre o Brasil em que vivemos...

Um poema, dentre tantos maravilhosos, de Afonso Romano de Santana.
A implosão da mentira
Afonso Romano de SantAnna
Mentiram-me.
Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.

Fragmento 2
Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem.
Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária?mente,
mente incivil?mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
—diária/mente.

Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.

Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.

Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.

* Este poema, que foi enviado a diversos jornais em 1980. Não preciso falar da atualidade dele.
*Foto: Menina chorando durante incêndio na favela do Buraco Quente, zona sul de São Paulo.
Esta foto do repórter-fotográfico J.F.Diório, da Agencia Estado, ganhou em primeiro lugar na categoria "General News" em prêmio concedido pela World Press Photo 2005.

Mais uma indicação


Código 46

Num futuro não muito distante, as cidades são rigidamente controladas e o acesso só é possível por meio de pontos de checagem. As pessoas não são autorizadas a viajar a não ser que possuam o salvo-conduto, um seguro especial de viagem.

Fora dessas cidades o deserto tomou conta, com os cidadãos sem seguro sendo segregados em bairros pobres. William (Tim Robbins) é um homem casado que trabalha como investigador de seguros. Quando sua empresa o envia para uma outra cidade para resolver um caso de salvo-condutos forjados, ele encontra Maria (Samantha Morton). Apesar de descobrir que Maria é a culpada pelas fraudes, ele se apaixona por ela. William volta para casa sem denunciá-la, mas não a esquece. Porém, quando o salvo-conduto forjado provoca uma morte, ele é obrigado a retornar à cidade para reencontrar Maria.
"Mergulhado em um clima de constante melancolia, Código 46 divide com O Dogma do Amor um inconfundível tom noir que combina perfeitamente com o temperamento de seus protagonistas - e boa parte da trama, é claro, transcorre à noite, já que, para evitar as doenças provocadas pelo Sol, as pessoas passam a dormir durante o dia e trabalhar no período noturno (com exceção daquelas que moram fora das grandes cidades – o que, inclusive, é utilizado pelo filme como um curioso contraponto entre a frieza da civilização moderna e a irracionalidade dos excluídos). (...) De todo modo, há um som universal, que dispensa traduções, para ilustrar a competência deste filme: o de aplausos." http://www.cinemaemcena.com.br/crit_editor_filme.asp?cod=3623

O filme é muito belo e melancólico e esqueci de mencioná-lo na listagem da outra postagem... E possui um dos finais mais tristes que vi nos últimos tempos...Tudo ao som de Coldplay - Warning saign - É de ficar muito sensibilizado...Muito mesmo...

domingo, 27 de novembro de 2005

MADONNA DE NOVO E SEMPRE!


O CD NOVO DA MADONNA É TUDO PARA DANÇAR!

Obrigado às amigas saudosas:
Alexia MacQueen, Guilhermina Münch, Dori Dildo e Laura De Peignoir

Ótimo site

Ótimo site para os jornalistas e para a comunidade em geral:


http://www.guiadh.org/

Entre e veja.

Preconceito agora é direito

TVs e OAB preocupadas com ação contra programas homofóbicos

Parece que a artilharia contra a homofobia na TV está dando resultado.
(o povo começou a ficar incomodado!)
Depois da liminar que tirou a emissora da Rede TV! em SP do ar, as TVs estão em alerta.Segundo o colunista Daniel Castro , da Folha SP, executivos da Globo, Record, Band e Rede TV! estão se reunindo por conta dos acontecimentos e temem que a ação tenha aberto um precedente perigoso.
A Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores, que reúne Band, SBT e Rede TV!) divulgou na sexta,18/11, nota oficial em que classifica a "medida truculenta que retirou dos telespectadores o direito de escolha". E conclama as autoridades, judiciais inclusive, "a refletirem sobre a importância para o Brasil de evitar que atos de censura não se repitam".

E a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo divulgou nota em que manifesta preocupação com "decisões judiciais que restringem o pleno exercício da liberdade de expressão".
http://glsplanet.terra.com.br/cgi-bin/viewnews.cgi?category=7&id=1132668985

Por que a OAB não se preocupa com decisões do tipo que dão pensão de 100% do salário (R$14.900,00) para o juízes que matam vigias em supermercados ?
Essas devem dar trabalho...No final das contas,é o próprio judiciário que achincalha sua moral...

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Agradecimento













Agradeço a frequente colaboração das alunas , Nanachara, Nana e Greice ... Muito obrigado, meninas... A discussão e a troca de idéias é sempre salutar...

Quanto ao tema, acabo concordando com a Greice... Acho que foi insuficiente, mas se você quiser também aprende, basta interesse. Por que? No meu caso, por exemplo, quando aprendi a diagramar nem tinha computador direito :) ... Tive que correr atrás, gente... Todo mundo têm!